Multada por “fazer a polícia perder tempo”, jovem assediada é morta por ex

iG São Paulo

Quando denunciou seu ex-namorado por assédio, Shana Grines, 19, recebeu uma multa por "fazer alegações falsas" e "desperdiçar o tempo da polícia"

Shana Grice foi vítima de assassinato brutal depois de meses sendo assediada pelo ex-namorado e ignorada pela polícia

Shana Grice foi vítima de assassinato brutal depois de meses sendo assediada pelo ex-namorado e ignorada pela polícia

Foto: Reprodução/Facebook

Uma jovem que foi encontrada morta meses depois de denunciar seu ex-namorado à polícia havia sido multada por "desperdiçar o tempo dos policiais", conforme foi descoberto durante o julgamento de seu assassinato.

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O corpo de Shana Grines, de 19 anos, foi encontrado em seu quarto em Portslade, no sul da Inglaterra, com a garganta cortada depois de sofrer um ataque em agosto de 2016. Além do assassinato brutal, havia indícios de tentativas incêndio em dois pontos diferentes do apartamento da garota.

O ex-namorado de Shana, Michael Lane, de 27 anos, está sendo julgado pela morte da jovem, mas nega qualquer envolvimento com o crime. Lane teria se tornado obcecado por sua ex-namorada depois que ela voltou a se relacionar com o parceiro anterior, Ashley Cooke.

Em fevereiro de 2016, a vítima procurou a polícia para reportar que estava sendo perseguida por Lane. Ele teria se escondido do lado de fora da casa da garota, mandado flores e deixado um bilhete escrito “Shana sempre irá te trair” no carro de Cooke.

Um mês mais tarde, a garota voltou a procurar as autoridades para denunciar um assédio provocado pelo ex. Entretanto, o homem negou as acusações e ofereceu como evidência mensagens de texto que sugeriam que a jovem "queria manter relações com ele".

Depois do incidente, Shana foi acusada de “desperdiçar o tempo de oficiais fazendo uma alegação falsa” porque deixou de informar às autoridades que mantinha um relacionamento estável com Lane. Ela recebeu uma multa.

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Meses depois da primeira denúncia, em julho de 2016, o acusado roubou as chaves da vítima e invadiu sua casa para assisti-la dormir. Ele foi advertido e os policiais o mandaram manter distância da garota, mas as reclamações de que ele a estava seguindo e ligando constantemente para seu celular foram consideradas “de baixo risco”.

Em uma das ligações, Shana o confrontou quanto a seu comportamento esquisito, ao que ele respondeu “tem alguma coisa errada com a minha cabeça”. Ela então sugeriu que procurasse ajuda psicológica. “Obviamente alguma coisa está errada, mas eu não sei o que é. Eu preciso descobrir ou ser isolado”, disse Lane.

Apesar de reconhecer o problema, o acusado continuou a perseguir sua ex-namorada. Ele colocou um dispositivo de rastreamento no carro da garota e, quando descobriu que ela estava em um novo relacionamento, disse a um amigo que precisava “pagar pelo o que tinha feito”. Foi quando a enviou uma carta pedindo dinheiro pelos jantares e presentes que havia comprado para ela.

"Não sabia o que fazer"

Em sua defesa, Lane alegou que suas ações foram movidas pelo desejo de saber por que ela tinha terminado o relacionamento entre eles de forma tão abrupta. Ele contou que transou com a vítima dois dias antes de sua morte e disse ter ficado chocado ao encontrar a porta do apartamento da garota aberta e o corpo sem vida.

“Eu a vi encostada na cama. Ela não estava se mexendo e havia sangue na cama e no chão”, disse Lane. “Ela estava de pijama. Eu achei que estivesse morta e não sabia o que fazer”. Ele alega ter deixado a cena do crime sem ligar para a emergência ou checar os sinais vitais da vítima.

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O homem admitiu ter escondido seu tênis ensanguentado quando ouviu a sirene da polícia e também confessou ter mentido em seus depoimentos às autoridades. O julgamento continua, mas Lane nega ser culpado pelo assassinato.



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