Fetiche por couro e visual militar

Heitor Werneck

Colunista do portal iG, Heitor Werneck falou com o fetichista Dom Barbudo

No universo gay, o fetiche por couro e pelos uniformes militares seduz muita gente. O tema já virou até tema de filme estrelado por Al Pacino. Em "Parceiros da Noite" (Cruising, EUA, 1980), o ator vive o agente policial Steve Burns, que se infiltra no que existe de mais underground entre os gays de Nova York para investigar as ações de um serial killer. O filme é um mergulho nos clubes de sexo, com direito a roupas de couro, fetichismo e mais uma série de estímulos tão interessantes que o detetive acaba pegando gosto pela coisa...

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Dom Bardudo tem um raro conhecimento sobre o fetiche por couro

Dom Bardudo tem um raro conhecimento sobre o fetiche por couro

Foto: Divulgação

Aqui no Brasil, não temos Steve Burns, mas temos Dom Bardudo, um fetichista com raro conhecimento sobre o universo leather gay. Ele foi eleito Mr. Leather Brasil 2017 e detém o direito de usar para sempre a logo marca do IMRL – Concurso Mr Leather Internacional, o que representa um privilégio e é uma prerrogativa reservada a poucos homens no mundo. Sendo assim, ele é o nosso principal expoente em tudo que se refere ao fetiche por couro e visual militar.

Além de ser o nosso principal expoente em tudo que se refere ao fetiche por couro e visual militar, também criou uma página (DomBarbudo.com), na qual descreve, com detalhes, suas experiências como DOM responsável pelo despertar de muitos novatos.

Conhecido nos meios gay e BDSM, mantém escravos fixos e está com uma senhora fila de espera para novas experiências. Confira nosso bate-papo sobre este tipo de fetiche e suas experiências como dominador:

Heitor Werneck: O BDSM gay (Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão) é uma faceta pouco assumida. É curioso porque, no mundo todo, o leather e o BDSM fazem parte do universo gay. Por que, no Brasil, essa posição ainda não foi assumida?

Dom Barbudo: Temos o fator cultural, pois muitos ainda veem no couro apenas uma roupa para usar em situações sexuais e não como algo mais amplo.

Heitor Werneck: O mundo fetichista gay é mais virtual ou real? As pessoas concretizam as fantasias que elas manifestam em redes sociais, perfis virtuais, ou ainda existe uma barreira entre o desejar e o vivenciar?

Dom Barbudo: Para muitos ainda é mais virtual, por isso existem tantos perfis nas redes sociais. Mas há um começo para tudo, e à medida que a pessoa começa a interagir e a conhecer outros que praticam aquilo que ela sempre sonhou, acaba por evoluir e a tornar real o que realmente quer

Heitor Werneck: Que conselhos você daria para um submisso ficar atento nas suas interações com os dominadores virtuais?

Dom Barbudo: O principal conselho diz respeito à segurança. Vá com cautela, tente pesquisar sobre aquela pessoa, suas experiências e suas intenções. Tente aprender sobre técnicas, posturas adequadas, código de ética e, de forma sutil, questione o dominador e avalie seus conhecimentos e sua postura. Antes de se entregar, tenha alguma noção se aquele interlocutor é quem diz e se efetivamente conhece aquilo de que está falando.

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Heitor Werneck: Em um primeiro encontro com um Dom desconhecido, que detalhes ou sinais o Sub deve entender como um alerta para, literalmente, cair fora?

Dom Barbudo: Um dominador deve ter como preocupação principal a saúde física, emocional e psicológica do parceiro. Portanto, se o cara não esclarecer de pronto estas questões, não está demonstrando uma conduta saudável para prosseguir. Sexo seguro e a palavra de segurança, que sempre deve ser combinada antes da sessão, configuram questões básicas. Segurança é primordial, portanto a comunicação deve ser clara e objetiva.

Fetichista Dom Barbudo foi eleito Mr. Leather Brasil 2017

Fetichista Dom Barbudo foi eleito Mr. Leather Brasil 2017

Foto: Divulgação


Heitor Werneck: Como dominador, qual sua postura em relação a um submisso iniciante?

Dom Barbudo: Minha principal preocupação é tornar o fetiche uma coisa prazerosa, uma experiência positiva em sua vida, e não um trauma. Muitos se libertam quando descobrem seus desejos, seu corpo, seu prazer. Trata-se, na verdade, de um processo de autoconhecimento. Minha preocupação vai desde o início do papo até o pós sessão, quando o submisso ainda precisa de um apoio para digerir o processo. Cuido para que as práticas sejam aquelas que ele está preparado para viver, pois muitas vezes o simples já é o máximo para quem nunca viu ou viveu algo parecido. Na prática, avalio o quanto ele deseja passar por aquilo, o que pensa que vai encontrar, quais as suas experiências anteriores, suas expectativas, e fico cem por cento ligado nas suas reações durante a sessão.

Heitor Werneck: Limites da primeira vez: tanto como Dom quanto como Sub, o que você aconselharia?

Dom Barbudo: A cena de dominação requer confiança mútua. O mais importante é desenvolver essa comunicação antes da sessão, para que fique claro para as partes quais os limites de cada um. O uso de drogas e bebidas alcoólicas é proibido durante as sessões. Por mais que uma das partes insista, não deve ser admitido em nenhuma hipótese. O uso da palavra de segurança deve ser combinado desde o início. Essa palavra é uma senha: quando o sub usá-la, significa que chegou a um limite, e que o Dom deve interromper imediatamente o que estiver fazendo.

Acompanhe a coluna de Heitor Werneck no iG e saiba mais sobre o fetiche por couro e o universo leather.




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